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domingo, 28 de agosto de 2011

COTIDIANO

Por: Alexandre Mendes

É "Playboy", pra lá..."playboy", pra cá. Qualquer um que me vê, me chama disso. Isso não é verdade! Minha vida não é tão fácil assim.
 Viajo o mundo todo, com papai e mamãe.  Sou modelo na agência de papai. As meninas não largam do meu pé.
Como é difícil ser rico e bonito!
Um dia me perguntaram se eu achava necessário a hierarquia social no mundo. Eu respondi que sim. Ora bolas! Quem levaria o café da manhã, na minha cama? Eu mesmo? HAHAHA!
Quem lavaria a minha roupa? Mamãe? HAHAHAHA! E o meu carro, quem lavaria? Papai? AHAHAHA!
Para mim, subalternos são extremamente necessários!
O mundo deve continuar como está, desde que o meu status seja preservado....


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

COTIDIANO


Eu fui um dos que lutaram na tomada de Cuzco, sob o comando do chefe inca, Pachacuti (1438-1493).
Tudo aconteceu muito rápido, durante uma batalha contra os Chancas. Enquanto eu armava a minha funda, algo muito forte bateu em minha cabeça. Tive a impressão de ser uma pedra atirada pelo inimigo. Acho que ele foi mais rápido do que eu.
Minhas pernas bambearam. Ouvia os gritos de ódio e dor ecoarem pelo ar, enquanto caia. Apaguei.

Alexandre Mendes

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

COTIDIANO


  Canavial, foice, ancinho....essa é a minha realidade. Todo dia, do nascer ao pôr do sol, corto cana para os donos desse lugar. Faço isso desde pequenina. Aprendi com os meus pais.
Ouço falar de outras formas de viver, mas o que ganho, mal dá para eu comer. Que dirá ir embora daqui!
Meus oito filhos partilham a miséria comigo...

Alexandre Mendes

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Merlin é uma farsa

Cansado de estar no meio
dos humanos e da hipocrisia
Eu ria...
Cansado de tudo que vivi com eles
Sinto agora o amargo gosto
da insipidez do mundo
Guela adentro
neste momento

Por: Alexandre Mendes

sábado, 20 de agosto de 2011

Belo Bela Vista

Por: Alexandre Mendes

Uma cerca farpada
De mato, uma muralha
Monte belo
Bela Vista

De condição precária
e íngreme subida
Ruelas esquecidas
Barro esgoto, sem saida



É daí que galo canta,
vento sopra bananeira
vida passa devagar
frente cama, na cadeira

O sol escala o céu,
roupa limpa, no varal
O quente se aproxima,
e seca a terra do quintal




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Lautrec



Mulheres e mais mulheres
orgias madrugada adentro
Adornavam as tintas coloridas
na moldura ainda desmoldurada
O vinho seco e outras formas de prazer
Fizeram a figura amadurecer

No entanto, fez-se a tarde,
e o irreversível se apossou de seu corpo
Era tarde... O que passou, passou,
 nunca mais retornaria a ficar são.


Uma vida bem gozada em uma semana ou uma vida moderada e incompleta, durante oitenta anos?

Alexandre Mendes

terça-feira, 16 de agosto de 2011

COTIDIANO

Por: Alexandre Mendes


Tchaf! Tchaf! Tchaf! - Faz o som da batida de escovas.
- Vai graxaí, moço?
Meu nome é Durval Otellino. Moro no Morro da Providência, na altura da Barão de São Felix. Minha mãe, Dona Salustiana, costuma contar histórias sobre o morro. Ela diz que minha avó e ela, ainda pequena,  foram expulsas do Cabeça de Porco, o maior cortiço da época, por aqui. Acho que foi em 1904, 1905, por aí... Um tal de Pereira Passos mandou botar todo mundo para fora do cortiço. Elas passaram a madrugada no relento... tadinhas...
Daí, subiram para o Morro e fizeram um puxadinho.
Eu nasci e cresci, no Morro da Providência.
Temos muitos malandros e capadócios, na área. Mas, posso afirmar que a maioria trabalha.
Eu engraxo sapatos, na recém construida, Avenida Presidente Vargas.
Daí, ganho alguns réis, subo a ladeira e tomo uns gorós, na barraca do Tião.
Acho que, com o Velho no Governo, meus filhos não vão precisar engraxar sapatos, como eu. Oh! Sim! Eles irão estudar! Serão doutores, um dia!



domingo, 14 de agosto de 2011

papai



Hoje eu me lembrei de você
e da sua negligência
Feliz, fácil dia!
como sempre foi pra você

Um filho
Um fardo
Um legítimo bastardo
O filho que você nunca teve
com a empregada
que um dia foi sua esposa

A chave da porta
que você balançava
ao chegar em casa
não me impressiona mais

você tem razão
filho é empecilho

Feliz dia dos pais




quinta-feira, 11 de agosto de 2011

COTIDIANO

Por: Alexandre Mendes



Ah! Claro! Eu me lembro desse dia! Foi quando eu mandei bater essa fotografia, no salão da casa grande. Sou eu, mais os meus pretos de confiança.
Tudo isso, somente, por causa dos abolicionistas. Aqueles malditos republicanos pressionavam a libertação efetiva, dos escravos.
   Eu queria, com essa fotografia, mostrar para eles que a escravidão não era tão ruim, assim. Mas foi em vão. Eles libertaram todos os pretos, enfraquecendo os meus lucros.
Embora, hoje, eu tenha os italianos trabalhando para mim, posso afirmar que não é mais tão lucrativo quanto antes.
Os pretos da foto, ainda trabalham para mim. Mas agora usam sapato. Eu pago umas moedinhas por mês, para eles trabalharem satisfeitos.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Papirus






Estava em busca de entender

O quê significava tudo aquilo

Como funcionava o dia e a noite

Defendendo a sua tribo



Com fome e violência

Conseguiu se fixar

 Nebulosa inteligência

E o amor, sempre a faltar



A distância, sem  zelo algum

Nas mãos dele, encurtou

Impérios, imperadores, imperialismo

Mundialismo demolidor



Sociedades que são massacradas

Por leis que prezam a injustiça

Crenças que são adaptadas

Redigidas com malícia



E assim, ele se vai

Destruindo tudo o que vê

Catástrofes, cada vez mais

Nosso fim pela tevê

 "...kapk, sinuom basalas, baled nuof..."
Nihildamus




sábado, 6 de agosto de 2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sobre o documentário “Entre Muros e Favelas”

(por W. Bastos)

Entre muros e favelas é um longa-metragem colorido, feito numa parceria Brasil/Alemanha em 2005, comdireção, câmera e edição de Susanne Dzeik, Márcio Jerônimo e Kirsten Wagenschein. Produzida por A Trever, Ak Kraak e TV Tagarela, a obra é bastante forte, estarrecedora até. Não é fácil encarar os 55 min do filme sem desviar os olhos. Mas indubitavelmente é uma realidade que precisa ser vista.
O documentário se vale de histórias reais de famílias que moram em favelas do Rio de Janeiro, em específico, Caju, Borel e Mandela, para mostrar a opressão e o preconceito de que é vítima a população pobre, principalmente a favelada.
É mostrado que o fenômeno das favelas, sobretudo na região sudeste brasileira, teve sua gênese nas décadas de 40 e 50, quando houve o primeiro grande fluxo migratório para essa área. Depois, durante a década de 70, houve um novo fluxo migratório, incentivado por veículos de comunicação de massa, como a Rede Globo de Televisão, a qual propagava a ideia de que o sudeste brasileiro era um paraíso. Tal ilusão era promovida para amenizar a tensão social no campo (favorecendo o latifúndio) e – ao mesmo tempo – gerar um contingente de desempregados nas grandes cidades, que permitisse uma redução geral dos salários (com tanta gente sem emprego, seria fácil encontrar quem trabalhasse quase de graça).
Só que essas pessoas iriam morar onde? Não havia habitação regular para elas. Aí surgiram as favelas, tão combatidas pela classe rica, mas nascidas pelo interesse dessa mesma burguesia.
Os favelados que não obtinham empregos ou que não se sujeitavam a trabalhar pelo salário de fome tradicionalmente pago pela elite brasileira acabaram sendo cooptados pelo tráfico de drogas. O filme demonstra ainda que o próprio narcotráfico é também um investimento bilionário da classe dominante e que encontra no morador de favela uma mão de obra barata. O dinheiro do crime organizado está na bolsa de valores, no financiamento de campanhas eleitorais, em transações financeiras de âmbito internacional, que requerem todo um aparato técnico desconhecido daquele que a mídia corporativa apresenta ao público como sendo o “grande traficante” (geralmente negro, iletrado, nascido e criado nalguma comunidade carente).
Em “Entre Muros e Favelas”, o pobre não é idealizado, mostrado como alguém necessariamente bom, cheio de qualidades nobres, como fazem algumas telenovelas globais demagógicas. Simplesmente o que é mostrado no documentário é como esse pobre é, de fato, dando a ele a oportunidade de se expressar, oportunidade sempre tolhida pelos veículos de comunicação massificantes, dos quais são exemplo a Rede Globo de Televisão – não por acaso surgida durante a ditadura militar brasileira (1964-1985).
Para escapar da ditadura que nos cerca ainda hoje (uma ditadura do capital, com roupagem de democracia) é preciso assistir a filmes como “Entre Muros e Favelas” e não porcarias televisivas policialescas apresentadas por Wagner Montes, Datena e outros autoritários que enaltecem a repressão e atacam os que lutam por direitos humanos e justiça social.
“Entre Muros e Favelas” é um filme para ser visto e debatido. Maiores informações sobre ele, escrever ao endereço eletrônico: videoterraeliberdade@yahoo.com.br.

(texto publicado no blog Expressão Liberta: www.expressaoliberta.blogspot.com)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

COTIDIANO

Por: Alexandre Mendes




  Meu nome é Mathias Guillenberg. Sou filho do Coronel Rosalvo Guillenberg e minha Família é dona deste lugar, desde os tempos do meu avô. Após a morte do meu pai, assumi o governo da região.
Acreditem, quem manda aqui, sou Eu. Se não andar nos trilhos, bem bonitinho, Eu dou cabo do safado.
Na verdade, o povo daqui descende dos antigos ocupantes, dessa região. Meu avô veio para cá, com um documento de posse falsificado, dizendo que era dono de tudo isso aqui. Daí, o povo ficou na mão Dele.
Eu tenho os meus capatazes, que repassam para o povo, o que eu quero e o que eu não quero que aconteça, por aqui. 
O nome da minha cidade é Coronel Ítalo, o nome de meu avô e, por isso, estou construindo uma praça no Centro. Ela vai ter a minha estátua e o meu nome: Praça Coronel Mathias Guillenberg.
 Quem sabe, no futuro, meu nome seja lembrado com importância, para essa cidade?

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Cotidiano



Por: Alexandre Mendes

Minha mãe me ensinou muitas coisas. Vendo frutas com ela, nas ruas de São Sebastião do Rio de Janeiro. Acordamos bem cedo, enchemos as bandejas com frutas e nos dirigimos para a Praça XV.
Todo o dia, a mesma rotina. Quando as bandejas esvaziam, retornamos até o depósito do Senhor Aristóbal, e carregamos as bandejas com frutas, novamente.
Somos escravas de ganho do Senhor Aristóbal. Moramos no porão do depósito Dele. As vezes, durmo sozinha. Mas, só quando Ele ordena que minha mãe durma no quarto Dele.
O Senhor Aristóbal é um Senhor bom.  A gente apanha muito pouco.
Mamãe me disse que o Senhor Aristóbal vai me levar pra passar a noite com Ele, hoje.
- Olha a manga fresca! Olha a maçã vermelha! Quem vai?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Tráfico de Seres Humanos



Trafficking in Human Beings

From Himalayan villages to Eastern European cities, people — especially women and girls — are attracted by the prospect of a well-paid job as a domestic servant, waitress or factory worker. Human traffickers recruit victims through fake advertisements, mail-order bride catalogues and casual acquaintances. Upon arrival at their destination, victims are placed in conditions controlled by traffickers while they are exploited to earn illicit revenues. Many are physically confined, their travel or identity documents are taken away and they or their families are threatened if they do not cooperate.

Women and girls forced to work as prostitutes are blackmailed by the threat that traffickers will tell their families. Trafficked children are dependent on their traffickers for food, shelter and other basic necessities. Traffickers also play on victims' fears that authorities in a strange country will prosecute or deport them if they ask for help.

Trafficking in human beings is a global issue, but a lack of systematic research means that reliable data on the trafficking of human beings that would allow comparative analysis and the design of countermeasures is scarce. There is a need to strengthen the criminal justice response trafficking through legislative reform awareness-raising  and training as well as through national and international cooperation. The support and protection of victims who give evidence is key to prosecuting the ringleaders behind the phenomenon.



Traficantes de Seres Humanos
Das aldeias do Himalaia até as cidades da Europa Oriental, as pessoas - especialmente mulheres e meninas - são atraídas pela perspectiva de um emprego bem remunerado, trabalhando como garçonete, doméstica ou operária, em países afora. Os traficantes de seres humanos recrutam vítimas através de anúncios falsos, catálogos de venda por correspondência para noivas e conhecidos casuais. Após a chegarem ao destino, as vítimas ficam a mercê dos traficantes e são exploradas, gerando  lucro para eles. Muitas são mantidas cativas. Seus documentos de viagem ou de identidade são retirados e elas partem. Se não cooperam, suas famílias são ameaçadas.

Mulheres e meninas são forçadas a trabalhar como prostitutas, sendo chantageadas pelos traficantes, que ameaçam contar o que elas fazem, para as suas famílias. As crianças aliciadas são dependentes de seus traficantes, quanto a sua alimentação, abrigo e outras necessidades básicas. Os traficantes também amedrontam suas vítimas, dizendo que as autoridades do país que em que se encontram, irão processá-las ou deportá-las, se tentarem pedir ajuda.
O tráfico de seres humanos é uma questão global, mas a falta de pesquisas sistemáticas significa que os dados confiáveis ​​sobre o tráfico de seres humanos existentes são escassos, e não permitem  uma análise comparativa ao projeto de combate ao problema. Há uma necessidade de reforçar a justiça criminal, a fim de combater o tráfico através da sensibilização do problema, durante as reformas legislativas dos países envolvidos, bem como através da cooperação nacional e internacional. O apoio e proteção às vítimas, que possuem as evidências para processar os líderes por trás desse fenômeno, é a chave do problema.

Vestibular 2007. Fator Visual. Ed. 2006. Pg. 308